terça-feira, 9 de dezembro de 2014

A Rapariga Corvo







A psicoterapeuta Sofia Zetterlund está a tratar dois pacientes fascinantes: Samuel Bai, um menino-soldado da Serra Leoa, e Victoria Bergman, uma mulher que tenta lidar com uma mágoa profunda da infância. Ambos sofrem de transtorno dissociativo de personalidade. 
A agente Jeanette Kihlberg, por seu lado, investiga uma série de macabros homicídios de meninos em Estocolmo. O caso está a abalar a investigadora, mas não tem tido grande destaque devido à dificuldade em identificar os meninos, aparentemente de origem estrangeira. 
Tanto Jeanette como Sofia são confrontadas com a mesma pergunta: quanto sofrimento pode um ser humano suportar antes de se tornar ele próprio um monstro?
À medida que as duas mulheres se vão aproximando cada vez mais uma da outra, intensificam-se os segredos, as ameaças e os horrores à sua volta.


Desde algum tempo a esta parte que me vou dedicando à leitura de autores suecos. 
Os livros, de uma forma geral versam sobre crimes, atrocidades que quase, apenas quase, nos custam a acreditar que possam ser cometidos por seres humanos, mas sabendo como o ser humano por natureza é desumano e tudo o que tem de bom é uma dádiva que deve ser acarinhada, não estranhamos.
O pior é quando damos de caras com um livro deste género.

Enlaça a investigação criminal com a investigação da psicanálise e vamos sendo expostos a relatos de crimes pedófilos que nos dão vontade de fechar o livro, respirar fundo e pensar: sim, é verdade, sabemos que existe, mas não precisamos saber detalhes. 
Acontece no entanto que apesar de tão negro, está tão bem escrito que nos cativa e entre a vida da psicoterapeuta Sofia e da detective Jeanette damos por nós a querer saber mais para confirmarmos que as nossas suspeitas estão certas.
Ou talvez erradas, ou afinal nem uma coisa nem outra porque apesar de parecer, nada é o que nos parece e quando chegamos à ultima parte do livro, damos conta de que as nossas suspeitas afinal não são assim tão infundadas, alterando apenas o objeto/personagem das mesmas. Ou não!

Se gostam de literatura negra, aconselho, pois é do mais negro que há e apesar de todas as repulsas e stresses que a leitura desta obra nos provoca, também nos oferece um final que nos vai obrigar a ler os restantes volumes desta trilogia, por muito negros que sejam.

4 comentários:

O meu pensamento viaja disse...

Tenho lido muita "coisa" de autores nórdicos.
Fiz uma pausa e estou "prisioneira" do fantástico, admirável, único, "PINTASSILGO"
Feliz natal.
Beijo

O meu pensamento viaja disse...

Maria João estou a ler "O meu irmão" de Afonso Reis Cabral, em perfeito êxtase! É uma descoberta incrível que me deixa maravilhada em cada linha! Tão bom!
Beijo

Sónia TM disse...

Incrivel


tarasemanias.pt

O meu pensamento viaja disse...

Maria João, muito obrigada pelo comentário.
Esclareço que ao serão, bordo! Sou assim, muito prendada.
Beijinhos